domingo, 15 de fevereiro de 2009

Um conto divertido


O Homem que queria eliminar a memória

Entrou no hospital, mandou chamar o melhor neurocirurgião. Disse que era caso de vida e morte. Não se sabe como, o melhor neurocirurgião foi atendê-lo. Médicos são imprevisíveis. Precisa-se muito e eles falham; subitamente estão ali, salvando nossas vidas, ele pensou, sem se incomodar com o lugar comum.
Estava na sala diante do doutor. Uma sala branca, anônima. Por que são sempre assim, derrotando a gente logo na entrada.
O médico:
Sim?
Quero me operar. Quero que o senhor tire um pedaço do meu cérebro.
Um pedaço do cérebro? Por que vou tirar um pedaço do seu cérebro?
Porque eu quero.
Sim, mas precisa explicar. Justificar.
Não basta eu querer?
Claro que não.
Não sou dono do meu corpo?
Em termos.
Como em termos?
-Bem, o senhor é e não é. Há certas coisas que o senhor está impedido de fazer. Ou melhor: eu é que estou impedido de fazer no senhor.
Quem impede?
A ética, a lei.
- A sua ética manda também no meu corpo? Se pago, se quero, é porque quero fazer do meu corpo aquilo que desejo. E se acabou.
-Olha, a gente vai ficar o dia inteiro nessa discussão boba. E não tenho tempo a perder. Por que o senhor quer cortar um pedaço do cérebro?
Quero eliminar a minha memória.
Para que?
Gozado, as pessoas só sabem perguntas: o quê? Por quê? Para quê? Falei com dezenas de pessoas e todos me perguntaram: por quê? Não podem aceitar pura e simplesmente alguém que deseja eliminar a memória.
Já que o senhor veio a mim para fazer esta operação, tenho ao menos o direito dessa informação.
Não quero mais me lembrar de nada. Só isso. As coisas passaram, passaram. Fim!
- Não é tão simples assim. Na vida diária, o senhor precisa da memória. Para lembrar pequenas coisas. Ou grandes. Compromissos, encontros, coisas a pagar etc.
É tudo isso que vou eliminar. Marco numa agenda, olho ali e pronto.
Não dá para fazer isso, de qualquer modo. A medicina não está tão adiantada assim.
Em lugar nenhum eu posso eliminar a minha memória?
Que eu saiba não.
Seria muito melhor para os homens. O dia-a-dia. O dia de hoje para a frente. Entende o que eu quero dizer? Nenhuma lembrança ruim ou boa, nenhuma neurose. O passado fechado, encerrado. Definitivamente bloqueado. Não seria engraçado? Não se lembrar sequer do que tomou no café da manhã? E para que quero me lembrar do que tomei no café da manhã?
Se todo mundo fizesse isso, acabaria a história.
E quem quer saber de história?
Imaginou o mundo?
Feliz, tranqüilo. Só de futuro. O dia em vez de se transformar em passado de hoje, mudando-se em futuro. Cada instante projetado para a frente.
Não seria bem assim. Teríamos apenas uma soma de instantes perdidos. Nada mais. Cada segundo eliminado. A sua existência comprovada através do quê?
Quem quer comprovar a existência?
A gente precisa. Para quê?
O médico pensou. Não conseguiu responder. O homem tinha-o deixado totalmente confuso. Pediu ao homem que voltasse outro dia. Despediram-se. O médico subiu para os brancos corredores do hospital, passou pela sala de operações. Chamou um amigo.
-Estou pensando em tirar um pedaço do meu cérebro. Eliminar a memória. O que você acha?
-Muito boa idéia. Por que não pensamos nisto antes? Opero você e depois você me opera. Também quero.


Ignácio de Loyola Brandão. Para gostar de ler. Volume 8. Contos. São Paulo: Ática, 1983, pp.14,15 e 16.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Beatrix Potter








A mulher que desenhava e escreveu lindos livros infantis

Beatrix Potter começou a desenhar aos nove anos de idade. Sua familia não levava a serio suas tendencias artísticas e, como naquela época, na Inglaterra da rainha Victoria a mulher só podia casar, Beatrix vivia atormentada por sua mãe que sempre lhe apresentava muitos pretendentes. Seu amigo Canon Rawnsley era o irmão mais novo dos donos de uma editora e era um grande fã de Beatrix. Ele pediu que elafizesse alguns cartões de natal, que foram um grande sucesso. Depois, criou seu personagem Peter Rabbit e mandou editar um livro e assim começou seu sucesso.
Canon e Beatrix pretendiam se casar, porém sua familia era contra o casamento. Assim, foi para o campo onde sempre passava os verões em uma chácara de propriedade dos pais, e algum tempo depois recebeu a noticia da morte de Canon. Como, nesse momento, tinha ficado muito rica, mudou-se para o campo e passou a comprar propriedades
para salvá-las das industrias que estavam destruindo a zona rural. Encontrou um amigo de infancia e junto com ele, após seu casamento, dedicou-se a proteger a natureza.
Algumas partes de suas terras foram compradas pelo governo para preservação como a quinta de Hill Top e, outras partes, foram doadas a organizações não governamentais que cuidam da sua preservação até hoje.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Berlin-Gaza











Cuál es la diferencia?... (Berlin-Gaza)
"Reproduzca esta información, hágala circular por los medios a su alcance: a mano, a máquina, a mimeógrafo, oralmente. Mande copias a sus amigos: nueve de cada diez las estarán esperando. Millones quieren ser informados. El terror se basa en la incomunicación. Rompa el aislamiento. Vuelva a sentir la satisfacción moral de un acto de libertad. Derrote el terror. Haga circular esta información”.




Rodolfo Walsh, ANCLA (Agencia de Noticias Clandestina), 1976


As fotos acima, dentre outra, estão circulando na internet, acho que é direito de todos ter conhecimento dos fatos que estão por trás das fotos.

Para fazer download de livros e muito mais

http://br.youtube.com/results?search_query=sadrak7f&search_type=

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Os livros mais vendidos


FICÇÃO NÃO-FICÇÃO AUTOAJUDA E ESOTERISMO (vejaonline)
1
Eclipse
Stephenie Meyer [1 | 3] INTRÍNSECA

1
Comer, Rezar, Amar
Elizabeth Gilbert [1 | 44] OBJETIVA

1


Vencendo o Passado
Zibia Gasparetto [1 | 9] VIDA & CONSCIÊNCIA
2


A Cabana
William Young [4 | 22] SEXTANTE

2
Marley & Eu
John Grogan [2 | 120*] PRESTÍGIO

2


O Código da Inteligência
Augusto Cury [2 | 12] THOMAS NELSON BRASIL
3


Crepúsculo
Stephenie Meyer [3 | 36*] INTRÍNSECA

3


Gomorra
Roberto Saviano [3 | 5] BERTRAND BRASIL

3


O Monge e o Executivo
James Hunter [3 | 208] SEXTANTE
4


Lua Nova
Stephenie Meyer [2 | 17] INTRÍNSECA

4


Uma Breve História do Mundo
Geoffrey Blainey [4 | 54*] FUNDAMENTO

4


Quem Me Roubou de Mim?
Fábio de Melo [5 | 11] CANÇÃO NOVA
5


O Vendedor de Sonhos
Augusto Cury [5 | 30] ACADEMIA DE INTELIGÊNCIA

5


Mentes Perigosas
Ana Beatriz Barbosa Silva [6 | 11*] FONTANAR

5


O Segredo
Rhonda Byrne [7 | 89] EDIOURO
6


O Menino do Pijama Listrado
John Boyne [7 | 6*] COMPANHIA DAS LETRAS

6


1808
Laurentino Gomes [5 | 69] PLANETA

6


Nunca Desista de Seus Sonhos
Augusto Cury [8 | 179*] SEXTANTE
7


A Menina que Roubava Livros
Markus Zusak [6 | 97] INTRÍNSECA

7


Uma Breve História do Século XX
Geoffrey Blainey [8 | 11] FUNDAMENTO

7


Casais Inteligentes Enriquecem
Juntos
Gustavo Cerbasi [4 | 144*] GENTE
8


A Cidade do Sol
Khaled Hosseini [0 | 57*] NOVA FRONTEIRA

8


1001 Filmes para Ver Antes de Morrer
Steven Jay Schneider [10 | 6] SEXTANTE

8


Eles Continuam entre Nós
Zibia Gasparetto [6 | 23] VIDA & CONSCIÊNCIA
9


O Caçador de Pipas
Khaled Hosseini [0 | 158*] NOVA FRONTEIRA

9


Fazendo as Malas
Danuza Leão [9 | 8] COMPANHIA DAS LETRAS

9


Os Segredos da Mente Milionária
T. Harv Eker [9 | 97*] SEXTANTE
10


Os Contos de Beedle, o Bardo
J.K. Rowling [8 | 7] ROCCO

10


Dewey
Vicki Myron e Bret Witter [0 | 12*] GLOBO

10


A Arte da Guerra
Sun Tzu [10 | 47*] VÁRIAS EDITORAS
11


A Sombra do Vento
Carlos Ruiz Zafón - OBJETIVA/SUMA DE LETRAS

11


Resistência
Agnès Humbert - NOVA FRONTEIRA

11


A Cabeça de Steve Jobs
Leander Kahney - AGIR
12


O Leitor
Bernhard Schlink - RECORD

12


Maysa: Só numa Multidão de Amores
Lira Neto - GLOBO

12


Investimentos Inteligentes
Gustavo Cerbasi - THOMAS NELSON BRASIL
13


Ensaio sobre a Cegueira
José Saramago - COMPANHIA DAS LETRAS

13


Aurélio Becherini
Rubens Fernandes Junior, Ângela C. Garcia
e José de Souza Martins - COSAC NAIFY

13


O que Toda Mulher Inteligente
Deve Saber
Steven Carter e Julia Sokol - SEXTANTE
14


O Guardião de Memórias
Kim Edwards - SEXTANTE

14


Operação Valquíria
Tobias Kniebe - PLANETA

14


O Poder do Agora
Eckhart Tolle - SEXTANTE
15


A Viagem do Elefante
José Saramago - COMPANHIA DAS LETRAS

15


A Cientista Que Curou Seu Próprio Cérebro
Jill Bolte Taylor - EDIOURO

15


Por que os Homens Fazem Sexo
e as Mulheres Fazem Amor?
Allan e Barbara Pease - SEXTANTE
16


O Jogo do Anjo
Carlos Ruiz Zafón - OBJETIVA/SUMA DE LETRAS

16


Doidas e Santas
Martha Medeiros - L&PM

16


Você é Insubstituível
Augusto Cury - SEXTANTE
17


O Ladrão de Raios
Rick Riordan - INTRÍNSECA

17


A Origem dos Meus Sonhos
Barack Obama - GENTE

17


Anticâncer
David Servan-Schreiber - FONTANAR
18


Laços de Pecado
Nora Roberts - BERTRAND BRASIL

18


O Carrasco do Amor
Irvin D. Yalom - EDIOURO

18


Pai Rico, Pai Pobre
Robert Kiyosaki e Sharon Lechter - CAMPUS/ELSEVIER
19


O Recurso
John Grisham - ROCCO

19


Muito Longe de Casa
Ishmael Beah - EDIOURO


19


Como Deus Cura a Dor
Mark W. Baker - SEXTANTE
20


Coração de Tinta
Cornelia Funke - COMPANHIA DAS LETRAS

20


Fora de Série
Malcolm Gladwell - SEXTANTE

20


Transformando Suor em Ouro
Bernardinho - SEXTANTE

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Júlio Verne e a ficção científica



Nasceu no dia 8 de fevereiro o famoso escritor Julio Verne: saiba quem foi ele:


Jules Verne (aportuguesado para Júlio Verne) (Nantes, 8 de Fevereiro de 1828 — Amiens, 24 de Março de 1905) foi um escritor francês.

Júlio Verne foi o filho mais velho dos cinco filhos de Pierre Verne, advogado (avoué), e Sophie Allote de la Fuÿe, esta de um família burguesa de Nantes. É considerado por críticos literários o precursor do gênero de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua.Cinq semaines en ballon (pt: Cinco semanas em balão / br: Cinco semanas em um balão) foi a primeira grande obra literária do escritor francês Júlio Verne, publicada pela primeira vez em 1863.

Como é comum em todas as obras de Verne, este livro relata uma grandiosa viagem, passada em meados do séc. XIX, que teve como finalidade a travessia do continente africano desde a costa oriental à costa ocidental (Zanzibar ao Senegal), usando como veiculo um balão de hidrogénio, o criador deste aparelho é o Dr. Fergusson de nacionalidade inglesa, que já sendo famoso pelas suas grandes expedições à volta do globo quer ir mais além. Ele conjuntamente com o seu criado Joe, e o seu grande amigo, o escocês Dick Kennedy, partem de Zanzibar, uma ilha na costa oriental de África com o intuito de atravessarem o continente segundo uma rota mais ou menos paralela à linha do equador, tendo como grandes objectivos a descoberta da nascente do grande rio Nilo e a descoberta da região central de África que na altura ainda era uma incógnita nas cartas geográficas de África.(texto extraido da Wikipedia)



http://jverneportugal.no.sapo.pt(site sobre Julio Verne)

Campanha da Avaaz


Apesar de pouco noticiado, centenas de milhares de civis estão presos no fogo cruzado da guerra civil no Sri Lanka. Eu acabei de enviar uma mensagem para a Secretária do Estado dos EUA Hillary Clinton pedindo para os EUA pressionarem o governo do Sri Lanka e os grupos rebeldes a garantirem a segurança da população civil. É muito fácil enviar uma mensagem, entre no site abaixo. O Departamento de Estado dos EUA concordou em apresentar a mensagens enviadas à Secretária do Estado Hillary Clinton. Participe desta campanha:

http://www.avaaz.org/po/sri_lanka_civilians/98.php?cl_tf_sign=1

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Japão caça ilegal

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Apresento a minha escritora de policiais preferida





Agatha Mary Clarissa Mallowan (Torquay, 15 de Setembro de 1890 — Wallingford, 12 de Janeiro de 1976), mundialmente conhecida como Agatha Christie, foi uma romancista policial britânica e autora de mais de oitenta livros. Seus livros são os mais traduzidos de todo o planeta, superados apenas pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare. É conhecida como Duquesa da Morte, Rainha do Crime, dentre outros títulos.

Criou os famosos personagens Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence Beresford e Parker Pyne.



Biografia

Nascida Agatha Mary Clarissa Miller em 15 de Setembro de 1890, Agatha Christie é conhecida pelo mundo como a Rainha do Crime[1]. Os seus livros venderam mais de um bilhão de cópias em inglês, além de outro bilhão, em línguas estrangeiras. Ela é a autora mais publicada de todos os tempos em qualquer idioma, somente ultrapassada pela Bíblia, e mais que Shakespeare. Ela é a autora de oitenta romances policiais e coleções de pequenas histórias, dezenove peças e seis romances escritos sob o nome de Mary Westmacott. Ela é, até hoje, conhecida como a Rainha do Crime e Duquesa da Morte, entre outros títulos. Agatha foi pioneira ao fazer com que os desfechos de seus livros fossem extremamente impressionantes e inesperados, sendo praticamente impossível ao leitor descobrir quem é o assassino.

Casou-se pela primeira vez em 1914, com o Coronel Archibald Christie, piloto do Corpo Real de Aviadores. O casal teve uma filha, Rosalind, e divorciou-se em 1928.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Agatha trabalhou em um hospital e em uma farmácia, funções que influenciaram seu trabalho: muitos dos assassinatos em seus livros foram cometidos com o uso de veneno.

Em 1930, casou-se com o arqueólogo Sir Max Mallowan. Mallowan era 14 anos mais jovem que a escritora, e suas viagens juntos contribuíram com material para vários de seus romances situados no Oriente Médio. O casamento duraria até a morte da escritora.

Em 1971 ela recebeu o título de Dama da Ordem do Império Britânico.

Agatha Christie morreu em 12 de janeiro de 1976, aos 85 anos de idade, de causas naturais, em sua residência - Winterbrook, em Wallingford, Oxfordshire. Ela está enterrada no Cemitério da Paróquia de St. Mary, em Cholsey, Oxon.

A única filha da autora, Rosalind Hicks, morreu em 28 de outubro de 2004, também com 85 anos, de causas naturais. Os direitos sobre sua obra pertencem agora a seu neto, Mathew Prichard.

A autora e sua Obra

"Dentro de alguns anos, só quero ser lembrada como uma boa escritora de casos policiais." Diz ela. E é assim que Agatha Christie permanece na memória de seus fiéis leitores em todo o mundo. Os números dão conta de seu enorme prestígio: oitenta e seis livros traduzidos em cento e três idiomas, além de uma autobiografia e mais de trezentos e cinquenta milhões de exemplares vendidos até hoje. Natural de Torquay, Inglaterra, onde nasceu em 15 de setembro de 1890, a escritora foi batizada com o nome Agatha Mary Clarissa Miller. Passou a infância e a adolescência num ambiente quase recluso, pois sua mãe se encarregou de dar-lhe formação cultural, proibindo-a de freqüentar escolas públicas. Tinha trinta anos quando conseguiu publicar seu livro de estréia, O misterioso caso de Styles (1921). Agatha Christie criou dois tipos inesquecíveis: o detetive belga Hercule Poirot, com suas prodigiosas celulazinhas cinzentas no cérebro, e Miss Marple, uma solteirona simpática, observadora sagaz e tão cerebral quanto o detetive belga. Antes de morrer, em 12 de janeiro de 1976, cuidou também de preparar a morte de Miss Marple; e voltou a mansão Styles, cenário de seu primeiro livro, para encerrar a carreira de Poirot em Cai o pano.

Fonte: Livro "Morte no Nilo" de Agatha Cristie.


O primeiro romance de Agatha Christie, O Misterioso Caso de Styles, foi escrito no final da Primeira Guerra Mundial, durante a qual ela trabalhou como enfermeira. Nele criou Hercule Poirot, o pequeno detetive belga que mais tarde se tornaria o personagem de crimes de ficção mais popular só superado por Sherlock Holmes. Foi publicado em 1920.

O Assassinato de Roger Ackroyd

Em 1926, após uma média de um livro por ano, Agatha Christie escreveu a sua obra-prima: O Assassinato de Roger Ackroyd. Este foi o primeiro dos seus livros a ser publicado pela editora Collins, e marcou o início de um relacionamento autor-editor que durou 50 anos e 70 livros. O Assassinato de Roger Ackroyd também foi o primeiro dos livros de Agatha Christie a ser dramatizado – sob o nome de Álibi – e a fazer sucesso no West End de Londres. A Ratoeira, a sua peça mais famosa, estreou em 1952 e é a peça de maior duração em cartaz da história. Ainda é encenada, no mesmo teatro de Londres, desde então.

Ordem do Império Britânico

Agatha Christie tornou-se Dama da Ordem do Império Britânico em 1971. Morreu em 1976, e desde então vários livros seus foram publicados pós-morte: o romance de sucesso Um Crime Adormecido apareceu mais tarde naquele ano, seguido pela sua autobiografia e pela coleção de pequenas histórias Os Casos Finais de Miss Marple, Problem at Pollensa Bay e Enquanto Houver Luz. Em 1998, Café Preto foi a primeira das suas peças a ser adaptada para o teatro por outro autor, Charles Osborne.

[editar] O Caso dos Dez Negrinhos

Um dos seus livros mais famosos, "O Caso dos Dez Negrinhos" (Ten Little Niggers) - cujo título se baseia numa cantiga infantil tradicional de Inglaterra - causou muita polémica na época em que foi publicada nos Estados Unidos devido a preocupações com acusações de racismo; por esse motivo, edições mais recentes receberam o título "Then There Were None" (Então Não Sobrou Nenhum). No Brasil, permanece o título original.

[editar] Cai o Pano
Info Aviso: Este artigo ou seção contém revelações sobre o enredo (spoilers).

O livro "Cai o Pano", narrando a última aventura de Hercule Poirot, foi publicado um pouco antes da sua morte. Agatha disse, quando publicou a história, que preferia matar o seu personagem mais famoso para evitar publicações que ela não aprovaria, após a sua morte. Tanto "Cai o Pano" como "Um Crime Adormecido", o último livro da personagem Miss Marple, haviam sido escritos na década de 1940, devido à preocupação da autora em não sobreviver à Segunda Guerra Mundial - e também como uma forma de assegurar uma adicional fonte de renda para seu marido e sua filha, a quem ela legou os direitos sobre as obras - e ficaram guardados durante décadas no cofre de um banco.

Obras

[editar] Romances e Contos
Título original Título no Brasil Título em Portugal Ano*
The Mysterious Affair at Styles O Misterioso Caso de Styles A Primeira Investigação de Poirot 1920
The Secret Adversary O Inimigo Secreto O Adversário Secreto 1922
The Murder on the Links Assassinato no Campo de Golfe Poirot o Golfe e o Crime 1923
The Man in the Brown Suit O Homem do Terno Marrom O Homem do Fato Castanho 1924
Poirot Investigates (11 contos - Grã-Bretanha); 14 - EUA) Poirot Investiga As Investigações de Poirot 1924
The Secret of Chimneys O Segredo de Chimneys O Segredo de Chimneys 1925
The Murder of Roger Ackroyd O Assassinato de Roger Ackroyd O Assassinato de Roger Ackroyd 1926
The Big Four Os Quatro Grandes As Quatro Potências do Mal 1927
The Mystery of the Blue Train O Mistério do Trem Azul O Mistério do Comboio Azul 1928
Partners in Crime (15 contos) Sócios no Crime O Homem que era o nº 16 1929
The Seven Dials Mystery O Mistério dos Sete Relógios O Mistério dos Sete Relógios 1929
The Murder at the Vicarage Assassinato na Casa do Pastor Encontro com um Assassino 1930
The Mysterious Mr. Quin (12 contos) O Misterioso Sr. Quin O Misterioso Mr. Quin 1930
Behind The Screen (Com outros autores) O Cadáver Atrás do Biombo 1930
The Scoop (Com outros autores) Um Furo Jornalístico 1931
The Floating Admiral (Com outros autores) A Morte do Almirante 1931
The Sittaford Mystery O Mistério de Sittaford O Mistério de Sittaford 1931
Peril at End House A Casa do Penhasco A Diabólica Casa Isolada 1932
The Hound of Death (12 Contos) O Cão da Morte Testemunha de Acusação 1933
Lord Edgware Dies Treze à Mesa A Morte de Lorde Edgware 1933
The Thirteen Problems (13 contos) Os Treze Enigmas Os Treze Problemas 1933
Murder on the Orient Express Assassinato no Expresso do Oriente Um Crime no Expresso do Oriente 1934
Parker Pyne investigates (12 contos) O Detetive Parker Pyne Parker Pyne Investiga 1934
The Listerdale Mystery (10 contos) O Mistério de Listerdale O Mistério de Listerdale 1934
Why Didn't They Ask Evans? Por que Não Pediram à Evans? Perguntem a Evans 1934
Three Act Tragedy Tragédia em Três Atos Tragédia em Três Actos 1935
Death in the Clouds Morte nas Nuvens Morte nas Nuvens 1935
The A.B.C. Murders Os Crimes ABC Os Crimes do ABC 1936
Murder in Mesopotamia Morte na Mesopotâmia Assassínio na Mesopotâmia 1936
Cards on the Table Cartas na Mesa Cartas na Mesa 1936
Murder in the Mews (4 novelas) Assassinato no Beco Crime nos Estábulos 1937
Death on the Nile Morte no Nilo O Barco da Morte 1937
Dumb Witness Poirot Perde uma Cliente Poirot Perde uma Cliente 1937
Appointment with Death Encontro com a Morte Morte entre as Ruínas 1938
Ten Little Niggers/And Then There Were None (o primeiro título é o da Grã-Bretanha e o segundo, dos EUA) O Caso dos Dez Negrinhos Convite para a Morte / As Dez Figuras Negras 1939
Murder is Easy É Fácil Matar Matar é Fácil 1939
Hercule Poirot's Christmas O Natal de Poirot O Natal de Poirot 1938
The Regatta Mystery and Other Stories (9 Contos) O Misterio da Regata e Outras Histórias O Mistério da Regata e Outras Histórias 1939
Sad Cypress Cipreste Triste Poirot Salva o Criminoso 1940
Evil Under the Sun Morte na Praia As Férias de Poirot 1941
N or M? M ou N? Tempo de Espionagem 1941
One, Two, Buckle My Shoe Uma Dose Mortal Os Crimes Patrióticos 1940
The Body in the Library Um Cadaver na Biblioteca Um Corpo na Biblioteca 1942
Five Little Pigs Os Cinco Porquinhos Poirot Desvenda o Passado 1943
The Moving Finger A Mão Misteriosa O Enigma das Cartas Anónimas 1942
Towards Zero Hora Zero Contagem Zero 1944
Sparkling Cyanide Um Brinde de Cianureto À Saúde da... Morte 1945
Death Comes as the End E no Final a Morte Morrer não é o Fim 1945
The Hollow A Mansão Hollow Poirot, o Teatro e a Morte 1946
The Labours of Hercules (12 contos) Os Trabalhos de Hércules Os Trabalhos de Hércules 1947
Taken at the Flood Seguindo a Correnteza Arrastado na Torrente 1948
Witness For The Prosecution and Other Stories (11 contos - só EUA) Testemunha de Acusação 1948
Crooked House A Casa Torta A Ultima Razão do Crime 1949
Three Blind Mice and Other Stories (9 contos - só EUA)) Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias A Ratoeira(ou Três Ratos Cegos) e Outras histórias 1950
A Murder is Announced Convite para um Homicídio Participa-se um Crime 1950
They Came to Baghdad Aventura em Bagdá Encontro em Bagdade 1951
They Do it with Mirrors Um Passe de Mágica Jogo de Espelhos 1952
Mrs McGinty's Dead A Morte da Sra. McGinty Poirot contra a Evidência 1952
A Pocket Full of Rye Cem Gramas de Centeio Centeio que Mata 1953
After the Funeral Depois do Funeral Os Abutres 1953
Hickory Dickory Dock Morte na Rua Hickory Poirot e os Erros da Dactilógrafa 1955
Destination Unknown Um Destino Ignorado Destino Desconhecido 1954
Dead Man's Folly A Extravagância do Morto Poirot e o Jogo Macabro 1956
4.50 from Paddington A Testemunha Ocular do Crime O Estranho Caso da Velha Curiosa 1957
Ordeal by Innocence Punição para a Inocência Cabo da Víbora 1958
Cat Among the Pigeons Um Gato Entre os Pombos Poirot e as Jóias do Príncipe 1959
The Adventure of the Christmas Pudding (6 contos) A Aventura do Pudim de Natal A Aventura do Pudim de Natal 1960
The Pale Horse O Cavalo Amarelo O Cavalo Pálido 1961
The Mirror Crack'd from Side to Side A Maldição do Espelho O Espelho Quebrado 1962
The Clocks Os Relógios Poirot e os 4 Relógios 1963
A Caribbean Mystery Mistério no Caribe Mistério nas Caraíbas 1964
At Bertram's Hotel O Caso do Hotel Bertram Mistério em Hotel de Luxo 1965
Third Girl A Terceira Moça Poirot e a Terceira Inquilina 1966
Endless Night Noite Sem Fim Noite Sem Fim 1967
By the Pricking of My Thumbs Um Pressentimento Funesto Caminho para a Morte 1968
Hallowe'en Party A Noite das Bruxas Poirot e o Encontro Juvenil 1969
Passenger to Frankfurt Passageiro para Frankfurt Passageiro para Frankfurt 1970
Nemesis Nêmesis Nemesis 1971
The Golden Ball and Other Stories (15 contos - só EUA) A Mina de Ouro 1971
Elephants Can Remember Memória de Elefante Os Elefantes Não Esquecem 1972
Postern of Fate Portal do Destino Morte pela Porta das Traseiras 1973
Poirot's Early Cases (18 contos) Os Primeiros Casos de Poirot Ninho de Vespas 1974
Curtain Cai o Pano Cai o Pano (O Último Caso de Poirot) 1975
Sleeping Murder Um Crime Adormecido Crime Adormecido 1976
The Under Dog, Second Gong, Sanctuary and Other Stories Poirot Sempre Espera e Outras Histórias 2008
Spider´s Web A Teia da Aranha

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Hoje na TV Cultura e site



Programa e site sobre a nova ortografia extraido de Blogseducativos



Volta às aulas na TV Cultura: professores e alunos podem retornar à
sala de aula sabendo tudo sobre o novo acordo ortográfico*

/“Nossa Língua” faz um resumo sobre as principais mudanças que irão
acontecer na Língua Portuguesa /

Depois das férias, professores e alunos terão a chance de voltar à sala
de aula com as principais mudanças do novo acordo ortográfico na ‘ponta
da língua’. É que a *TV Cultura* preparou uma *edição especial *do
*/Nossa Língua/*, que une em um só programa as alterações mais
importante que irão acontecer na Língua Portuguesa. Apresentada pelo
consagrado professor Pasquale Cipro Neto, a atração será exibida na
próxima *segunda-feira (02/02), às 19h30*.

Nos módulos sobre a nova ortografia, o público confere o que mudou em
nosso idioma com relação ao uso do acento diferencial e do hífen; a
eliminação do trema; e a reintrodução das letras K, W e Y no alfabeto.
Em outro bloco, Pasquale recebe o professor doutor em Letras e Relações
Internacionais e Presidente da Comissão de Língua Portuguesa do
Ministério da Educação *Godofredo de Oliveira Neto*, que comenta a
importância da unificação da Língua.

O programa traz ainda os depoimentos da Ministra de Educação de Cabo
Verde, *Vera Duarte*, que fala da importância desse acordo para o seu
país; e da autora *Tatiana Belinky*, que comenta sobre as novas regras
do ponto de vista da escritora. Mas as novidades não param por aí. Os
telespectadores também podem acompanhar todas as mudanças da Língua
Portuguesa por meio do site www.tvcultura.com.br/plantaoortografico
, que contém a listagem
das alterações do idioma e vídeos explicativos do professor Pasquale.

*Gerência de Comunicação Corporativa da Fundação Padre Anchieta *

Alexani Barbosa

Claudia Pereira

Vânia Barboni

Aline Cerri

sábado, 24 de janeiro de 2009

Os animais ensinam




quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Indicação


www.nunocastelo.com

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Pérolas do ENEM

Morram de dar risada ... Ou chorem!!!
PÉROLAS DO ULTIMO ENEM - EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO
(TÁ MAIS PRÁ JARDIM DE INFÂNCIA)


'O sero mano tem uma missão...'
(A minha, por exemplo, é ter que ler isso!)

'O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas..'
(Levei uns minutos para identificar o El Niño...)

'O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio!'
(Eu não sabia que a camada tinha esse nome bonito)

'Enquanto isso os Zoutros... tudo baixo nive...'
(Seja sempre você mesmo!!)

'A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região.'
(E além de tudo, viajam pra caramba, hein?)

'O que é de interesse coletivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente.'
(Entendeu .....?)

'Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele...'

(Faz sentido)

'O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes'
(Achei que fosse a pesca dos pássaros.)

'É um problema de muita gravidez.'
(Com certeza...se seu pai usasse camisinha, não leríamos isso!)

'A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.'
(Sem comentário)

'Já está muito de difíciu de achar os pandas na Amazônia'

(Que pena. Também ursos e elefantes sumiram de lá)

'A natureza brasileira tem 500 anos e já esta quase se acabando'
(Foi trazida nas caravelas, certo ?)

'O cerumano no mesmo tempo que constrói, também destroi, pois nos temos que nos unir para realizarmos parcerias juntos.'

(Não conte comigo)

'Na verdade, nem todo desmatamento é tão ruim. Por exemplo, o do Aeds Egipte seria um bom beneficácio para o Brasil'
(Vamos trocar as fumaças pelas moto-serras)

'Vamos mostrar que somos semelhantemente iguais uns aos outros'
(Com algumas diferenças básicas!!)

'... menos desmatamentos, mais florestas arborizadas.'
(Concordo! De florestas não arborizadas, basta o Saara!)

'..... provocando assim a desolamento de grandes expecies raras.'
(Vocês não sabiam que os animais têm depressão?)

'Nesta terra ensi plantando tudo dá.'
(Isto deve ser o português arcaico que Caminha escrevia...)

'Isso tudo é devido ao raios ultra-violentos que recebemos todo dia.'
(Meu Deus... Haja pára-raio!)

'Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dourado.'
(Quem teria sido o fabricante? Compaq ? Apple? IBM?)

'Imaginem a bandeira do Brasil. O azul representa o céu , o verde
representa as matas, e o amarelo o ouro. O ouro já foi roubado e as
matas estão quase se indo. No dia em que roubarem nosso céu, ficaremos sem bandeira..'
(Caraca! Ainda bem que temos aquela faixinha onde está escrito 'Ordem e Progresso'.)

'Ultimamente não se fala em outro assunto anonser sobre os araras
azuls que ficam sob voando as matas.'
(Talvez por terem complexo de urubus!)

'... são formados pelas bacias esferográficas.'
(Imaginem as bacias da BIC.)
'Eu concordo em gênero e número igual.'
(Eu discordo!)

'Precisa-se começar uma reciclagem mental dos humanos, fazer uma verdadeira lavagem celebral em relação ao desmatamento, poluição e depredação de si próprio.'
(Putz, que merda é essa?)

'O serigueiro tira borracha das árvores, mas não nunca derrubam as seringas.
(Esse deve ter tomado uma na veia)

'A concentização é um fato esperansoso para todo território mundial..'
(Haja coração!)

'Vamos deixar de sermos egoistas e pensarmos um pouco mais em nos mesmos.'
(Que maravilha!)

COM ESSA TURMA O BRASIL CONTINUARÁ NO TERCEIRO MUNDO AINDA POR UMAS BOAS DÉCADAS!!!



Letter by Fátima Bueno



Circulando na internet

sábado, 17 de janeiro de 2009

Museu do Prado em 3D

Google Earth publica fotos de 14 GIGApixels de obras-primas do Museo Nacional del Prado


Uma das melhores coisas de estar de volta a Madri é o Museo Nacional del Prado, que tem algumas das pinturas mais fantásticas de todos os tempos. Agora você pode vê-las no Google Earth, a uma estupefaciente resolução de 14 bilhões de pixels.

Ainda que nada seja comparável – no meu caso, a ponto de me deixar arrepiado – a ver na sua frente “Las Meninas” (ou qualquer outra obra-prima de Velázquez), “Los Fusilamientos en la Montaña del Príncipe Pío” ou as “Pinturas Negras” de Goya, isso é o mais perto que você pode chegar delas em qualquer lugar do mundo. Na verdade, você pode chegar muito mais perto do que se estivesse em frente às obras de verdade, a não ser que você queira que um valentão da equipe do museu lhe acerte um taser nas pernas.


As fantásticas imagens têm 14 gigapixels, 1.400 vezes a resolução de uma câmera de 10 megapixels. Como você pode ver nesse vídeo, a Madpixel não usa nenhuma câmera especial, mas uma câmera digital controlada por uma máquina e algoritmos para compensar a deformação e costurar o resultado final. Dar zoom para ver as técnicas dos mestres e os detalhes nas pinturas é de fundir a cabeça. [Veja aqui (requer o Google Earth para alta resolução) via Madpixel]

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A história dos Contos de Fadas






lustração de The Seven Wishes em Among pixies and trolls de Alfred Smedberg.
De origem celta, os contos de fadas são uma variação do conto popular ou fábula. Partilham com estes o fato de serem uma narrativa curta, transmitida oralmente, e onde o herói ou heroína tem de enfrentar grandes obstáculos antes de triunfar contra o mal. Caracteristicamente envolvem algum tipo de magia, metamorfose ou encantamento, e apesar do nome, animais falantes são muito mais comuns neles do que as fadas propriamente ditas. Alguns exemplos: "Rapunzel", "Branca de Neve e os Sete Anões" e "A Bela e a Fera".

Etimologia
A palavra portuguesa "fada" vem do latim fatum (destino, fatalidade, fado etc). O termo se reflete nos idiomas das principais nações européias: fée em francês, fairy em inglês, fata em italiano, Fee em alemão e hada em espanhol. Por analogia, os "contos de fadas" são denominados conte de fées na França, fairy tale na Inglaterra, cuento de hadas na Espanha e racconto di fata na Itália. Na Alemanha, até o século XVIII era utilizada a expressão Feenmärchen, sendo substituída por Märchen ("narrativa popular", "história fantasiosa") depois do trabalho dos Irmãos Grimm. No Brasil e em Portugal, os contos de fadas, na forma como são hoje conhecidos, surgiram em fins do século XIX sob o nome de contos da carochinha. Esta denominação foi substituída por "contos de fadas" no século XX.

A Dama do Lago do Ciclo Arturiano.
Fadas são entidades fantásticas, características do folclore europeu ocidental. Apresentam-se como mulheres de grande beleza, imortais e dotadas de poderes sobrenaturais, capazes de interferir na vida dos mortais em situações-limite. As fadas também podem ser diabólicas, sendo corriqueiramente denominadas "bruxas" em tal condição; embora as bruxas "reais" sejam usualmente retratadas como megeras, nem sempre os contos descrevem fadas "do mal" como desprovidas de sua estonteante beleza.
As primeiras referências às fadas surgem na literatura cortesã da Idade Média e nas novelas de cavalaria do Ciclo Arturiano, tomando por base textos-fontes de origem reconhecidamente céltico-bretã. Tal literatura destaca o amor mágico e imortal vinculado às figuras de fadas como Morgana e Viviana, o que evidencia o status social elevado das mulheres na cultura celta, na qual possuíam uma ascendência e um poder muito maiores do que entre outros povos contemporâneos (ou posteriores). Conforme destaca Coelho (1987, p. 34):
“
Na maioria das tradições, as fadas aparecem ligadas ao amor, ou sendo elas próprias as amadas, ou sendo mediadoras entre os amantes. A partir da cristianização do mundo, foi esse último sentido que predominou, perdendo-se completamente aquela outra dimensão "mágica", sobrenatural.

” Características dos contos de fadas
Podem contar ou não com a presença de fadas, mas fazem uso de magia e encantamentos;
Seu núcleo problemático é existencial (o herói ou a heroína buscam a realização pessoal);
Os obstáculos ou provas constituem-se num verdadeiro ritual de iniciação para o herói ou heroína;
Sua origem é celta.

Tradição oral e escrita


A Dama do Lago (ilustração acima) seqüestra Lancelot (ilustração de George Wooliscroft & Louis Rhead, 1898).
Conforme registra Squire (2003, p. 24), "uma mitologia deve ser sempre mais velha do que os mais antigos versos e histórias que a celebram. Poemas e sagas elaborados não são feitos num dia, ou num ano". Efetivamente, embora a tradição oral céltica do "conto mágico" possa ser velha de milhares de anos, foi somente no século VII, com a transcrição do poema épico anglo-saxão Beowulf que ela começou a ter registro material. As fadas, contudo, precisariam esperar até o século IX para serem registradas nas páginas dos Mabinogion, texto galês composto por quatro histórias distintas.
Os Mabinogion não assinalam somente o surgimento das fadas, mas também a transformação das aventuras reais que porventura podem ter dado origem ao Ciclo Arturiano, em lendas. Um dos quatro poemas narrativos que o compõe, "O Sonho de Rhonabry", descreve a luta do rei Artur contra os romanos. Após ser traído por seu sobrinho Morderete (posteriormente transformado num filho ilegítimo, Sir Mordred) e mortalmente ferido, o rei é levado pelas fadas para a mítica ilha de Avalon, onde elas residem.
Em 1155, o Roman de Brut de Wace retoma as aventuras lendárias de Artur e seus cavaleiros. Em destaque, a figura da fada Viviana que cria, no lago onde vive, um menino que havia encontrado abandonado (e que, futuramente, se transformaria em Sir Lancelot, o Cavaleiro do Lago). Posteriormente, a personalidade de Viviana sofre transformações ao longo de diversas histórias: de protetora de Lancelot, torna-se companheira do mago Merlin e, finalmente, surge como uma "sedutora maligna" (Coelho, 1987, p. 59) que aprisiona o mago num círculo mágico.
Ainda no século XII, os Lais de Marie de France cumpriram o papel de diluir a cultura céltico-bretã pelas cortes de toda a Europa e facilitar sua absorção pelo cristianismo. Neste processo, no entanto, os mitos poéticos celtas gradualmente perderam sua dimensão sobrenatural. Conforme assinala Graves (2003, p.16), embora o cristianismo possua um forte elemento mítico, esta palavra adquiriu após ele um significado de "fantasioso, absurdo, não-histórico". Os culpados por isso teriam sido justamente os trovadores franco-normandos, que transformaram o que era originalmente uma "linguagem mágica" (Graves, 2003, p. 12) em vulgares romances de cavalaria.
[editar] A evolução dos contos de fadas


Chapéuzinho Vermelho divide o leito com o lobo ( acima ilustração de Gustave Doré).
Diferentemente do que se poderia pensar, os contos de fadas não foram escritos para crianças, muito menos para transmitir ensinamentos morais (ao contrário das fábulas de Esopo). Em sua forma original, os textos traziam doses fortes de adultério, incesto, canibalismo e mortes hediondas. Segundo registra Cashdan (2000, p. 20):
“
Originalmente concebidos como entretenimento para adultos, os contos de fadas eram contados em reuniões sociais, nas salas de fiar, nos campos e em outros ambientes onde os adultos se reuniam - não nas creches.
”
Mais adiante, Cashdan (2000, p. 20) exemplifica:
“
É por isso que muitos dos primeiros contos de fada incluíam exibicionismo, estupro e voyeurismo. Em uma das versões de Chapeuzinho Vermelho, a heroína faz um striptease para o lobo, antes de pular na cama com ele. Numa das primeiras interpretações de A bela adormecida, o príncipe abusa da princesa em seu sono e depois parte, deixando-a grávida. E no conto A Princesa que não conseguia rir, a heroína é condenada a uma vida de solidão porque, inadvertidamente, viu determinadas partes do corpo de uma bruxa.
”
Ainda conforme Cashdan (2000, p. 23), "alguns folcloristas acreditam que os contos de fada transmitem 'lições' sobre comportamento correto e, assim, ensinam aos jovens como ter sucesso na vida, por meio de conselhos.(...)A crença de que os contos de fada contêm lições pode ser, em parte, creditada a Perrault, cujas histórias vem acompanhadas de divertidas 'morais', muitas das quais inclusive rimadas". E ele conclui: "os contos de fada possuem muitos atrativos, mas transmitir lições não é um deles" (2000, p.24).

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Dalton Trevisan




Escritor paranaense
Dalton Trevisan
14/06/1925, Curitiba (PR)
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação(UOL)

O enigmático escritor Dalton Trevisan cultiva o anonimato
Dalton Jérson Trevisan sempre foi avesso à imprensa, criando uma atmosfera de mistério em torno de seu nome. Não dá entrevistas nem gosta de ser fotografado. Assina apenas "D. Trevis" e não recebe a visita de estranhos. O apelido de "O Vampiro de Curitiba" veio do título de um de seus livros.

Quando era estudante de Direito, Trevisan costumava lançar seus contos em modestos folhetos. Em 1945 lançou o livro "Sonata ao Luar" e, no ano seguinte, publicou "Sete Anos de Pastor". Mas ele renega os dois e não os inclui na sua bibliografia.

Entre 1946 e 1948, editou a revista "Joaquim". O nome, segundo ele, era "uma homenagem a todos os Joaquins do Brasil". A publicação tornou-se porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas. Reunia ensaios assinados por Antonio Cândido, Mario de Andrade e Otto Maria Carpeaux e poemas até então inéditos, como "O Caso do Vestido", de Carlos Drummond de Andrade. A revista também trazia traduções de Joyce, Proust, Kafka, Sartre e Gide e era ilustrada por artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres.

Em 1959, Dalton Trevisan lançou o livro "Novelas Nada Exemplares" e ganhou o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Como era de se esperar, enviou um representante para recebê-lo. Entre os seus livros premiados estão "Cemitério de Elefantes", "Noites de Amor em Granada" e "Morte na Praça". Com um só romance publicado, "A Polaquinha", Dalton preferiu dedicar-se ao conto.

"Guerra conjugal", outro de seus livros, foi transformado em filme em 1975, com roteiro e direção de Joaquim Pedro de Andrade. Em 1996, recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto de sua obra. Em 2003, dividiu com Bernardo Carvalho o 1º Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, com o livro "Pico na Veia". Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas.


Leia um texto do autor:

Não viajo todas as Curitibas, a de Emiliano, onde o pinheiro é uma taça de luz; do Alberto de Oliveira do céu azulíssimo; a de Romário Martins em que o índio caraíba puro bate a matraca, barquilhas duas por um tostão; essa curitiba não é a que viajo. Eu sou da outra, do relógio na Praça Osório que marca implacável seis horas em ponto, dos sinos da Igreja dos Polacos, lá vem o crepúsculo nas asas de um morcego; do bebedouro na pracinha da Ordem, onde os cavalos de sonho dos piás vão beber água.

domingo, 11 de janeiro de 2009

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Florbela Espanca





Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que a minha boca tem pra te dizer!

São talhados em mármore de Páros

Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têmdol~encias de veludos caros,

São como sedas pálidas a arder...

Deixa dizer´te os lindos versos raros

Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não t'os digo ainda...

Que a boca da mulher é sempre linda

Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...

E nesse beijo, Amor, que eu não te dei

Guardo os versos mais lindos que te fiz!

(1923)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A feiticeira de Florença


A FEITICEIRA DE FLORENÇA, de Salman Rushdie (tradução de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 408 páginas; 54 reais)

• Este novo romance é uma mostra vigorosa de um grande talento do escritor anglo-indiano: Salman Rushdie é um excelente fabulador. Na tradição da Sherazade das Mil e uma Noites, sabe prender o leitor apenas pelo fascínio de uma história bem contada. Com muitos detalhes fantasiosos e exuberantes, A Feiticeira de Florença narra as peripécias de um aventureiro florentino do século XVI que acaba se envolvendo com a feiticeira Qara Köz, que foi amante do xá da Pérsia. Em um instigante jogo de histórias dentro de histórias, a vida de Qara Köz é narrada por outro aventureiro, na corte de um imperador mongol. Leia trecho.
Trecho de A Feiticeira de Florença,
de Salman Rushdie

À última luz do dia o lago a refulgir abaixo da cidade-palácio parecia um mar de ouro fundido. Um viajante que chegasse por ali ao entardecer — este viajante, chegando por ali agora, por esta estrada à beira do lago — poderia achar que estivesse se aproximando do trono de um monarca tão fabulosamente rico que permite que uma parte de seu tesouro seja vertida numa gigante depressão de terra para deslumbrar e intimidar seus hóspedes. E grande como era o lago de ouro, devia ser apenas uma gota do mar de sua maior fortuna — a imaginação do viajante não conseguia nem imaginar o tamanho do oceano-mãe! Também não havia guardas à beira da água; seria, então, o rei tão generoso que permitia a seus súditos, e talvez até mesmo a estrangeiros e visitantes como o próprio viajante, colher do lago a líquida riqueza? Esse seria, de fato, um príncipe entre os homens, um verdadeiro Preste João, cujo reino perdido de fábula e canção continha maravilhas impossíveis. Talvez (conjeturou o viajante) a fonte da eterna juventude ficasse por trás das muralhas da cidade — talvez até mesmo o legendário portal do Paraíso na Terra ficasse em algum lugar nas redondezas. Mas então o sol desceu abaixo do horizonte, o ouro mergulhou abaixo da superfície da água e se perdeu. Sereias e serpentes o guardariam até voltar a luz do dia. Até então, a água em si seria o único tesouro disponível, uma bênção que o viajante sedento aceitou agradecido.

O estranho estava num carro de bois, mas em vez de ir sentado nas ásperas almofadas de dentro ia em pé, como um deus, apoiado com mão displicente no guarda-corpo da treliça de madeira que emoldurava o carro. O rodar de um carro de bois nunca é macio, o carro de duas rodas pulava e sacudia ao ritmo dos cascos dos animais, sujeito também às irregularidades da estrada sob suas rodas. Mesmo assim, o viajante ia de pé, parecendo despreocupado e contente. O cocheiro desistira havia muito de gritar com ele, primeiro tomando o estrangeiro por um bobo — se queria morrer na estrada, que morresse, porque ninguém naquela terra ia lamentar! Depressa, porém, o desdém do cocheiro deu lugar a uma relutante admiração. O homem podia, sim, ser bobo, podia-se até dizer que tinha uma cara de bobo bonita demais e usava roupas de bobo inadequadas — um casaco de losangos coloridos de couro, naquele calor! — mas seu equilíbrio era impecável, de se admirar. O touro marchava em frente, as rodas do carro nos buracos e pedras, mas o homem de pé mal oscilava e conseguia, de alguma forma, manter a elegância. Um bobo elegante, o cocheiro pensou, ou talvez não fosse bobo nada. Talvez alguém a se respeitar. Se tinha algum defeito, era a ostentação, a vontade de ser não apenas ele próprio mas uma representação de si mesmo e, o cocheiro pensou, porque aqui todo mundo é um pouco assim também, então esse homem não é tão estranho no meio da gente afinal. Bastou o passageiro dizer que estava com sede e o cocheiro se viu indo até a beira da água para buscar bebida para o estrangeiro em um recipiente feito com uma cabaça envernizada que levantou para o outro pegar, como se ele fosse, ora, algum aristocrata que devia ser servido.

"Você fica parado aí feito alguém importante, e eu saio correndo para te servir", disse o cocheiro, de testa franzida. "Não sei por que trato você tão bem. Quem te deu o direto de me dar ordens? O que você é, afinal? Não é um nobre, isso com certeza, senão não ia estar neste carro. Mesmo assim, tem essa pose. Então você deve ser algum tipo de malandro." O outro bebeu sedento na cabaça. A água escorria pelos cantos da boca por seu queixo barbeado como uma barba líquida. Depois, devolveu a cabaça vazia, soltou um suspiro de satisfação e enxugou a barba. "O que eu sou?", perguntou, como se falasse consigo mesmo, mas usando a linguagem do próprio cocheiro. "Eu sou um homem que tem um segredo, isso é o que eu sou — um segredo que só o ouvido do imperador pode ouvir." O cocheiro ficou mais tranqüilo: o sujeito era um bobo, afinal. Não precisava tratá-lo com respeito. "Guarde o seu segredo", disse. "Segredo é coisa de criança, e de espião." O estrangeiro desceu do carro na frente do caravançarai, onde todas as viagens terminavam e começavam. Era surpreendentemente alto e levava uma bolsa de tecido grosso. "E de feiticeiras", disse ele ao cocheiro do carro de bois. "E de amantes também. E de reis."

No caravançarai tudo era alvoroço e barulho. Cuidavam dos animais, cavalos, camelos, bois, burros, cabras, enquanto outros animais, indomáveis, corriam soltos: macacões gritalhões, cachorros que não eram de ninguém. Periquitos explodiam guinchando como fogos de artifício verdes no céu. Os cocheiros trabalhavam, os carpinteiros, e em armazéns nos quatro cantos da enorme praça homens planejavam suas viagens, estocando comida, velas, óleo, sabão e cordas. Cules de turbante, camisas vermelhas e dhotis corriam sem cessar para lá e para cá com trouxas de tamanho e peso inacreditáveis sobre a cabeça. Havia, no geral, muita carga e descarga de mercadorias. Ali se encontrava acomodação barata para a noite, camas de corda e madeira cobertas com espinhosos colchões de crina de cavalo, enfileiradas mili- tarmente sobre os tetos dos prédios de um só andar que cercavam o enorme pátio do caravançarai, camas onde um homem podia deitar, olhar o céu e se imaginar divino. Além, para oeste, ficavam os campos murmurantes dos regimentos do imperador, recémchegados das guerras. O exército não tinha permissão para entrar na zona dos palácios, precisava ficar ali, no sopé do morro real. Um exército desempregado, recém-chegado da batalha, tinha de ser tratado com cautela. O estranho pensou na Roma antiga. Um imperador não confiava em nenhum soldado, a não ser a sua guarda pretoriana. O viajante sabia que a confiança era uma questão que ele teria de tornar convincente. Senão, logo morreria.

Não longe do caravançarai, uma torre cravejada de presas de elefante marcava o rumo do portão do palácio. Todos os elefantes pertenciam ao imperador, e ao fazer uma torre eriçada com suas presas ele demonstrava seu poder. Alerta!, dizia a torre. Você está entrando no reino do Rei Elefante, um soberano tão rico de paquidermes que pode usar os dentes de milhares de animais só para me decorar. Nessa mostra de poder da torre, o viajante reconhecia a mesma qualidade brilhante que luzia em sua própria testa como uma chama, ou uma marca do diabo; mas o homem que levantou a torre transformou em força essa qualidade que no viajante muitas vezes era vista como fraqueza. Será o poder a única justificativa para uma personalidade extrovertida?, o viajante perguntou a si mesmo e não conseguiu responder, porque se viu a esperar que a beleza pudesse ser outra desculpa também, porque ele decerto era bonito e sabia que sua aparência tinha um poder próprio.

Para além da torre de dentes, ficava um grande poço e acima dele uma massa de uma incompreensivelmente complexa maquinaria de água que servia ao palácio de muitas cúpulas sobre o monte. Sem água não somos nada, o viajante pensou. Até mesmo o imperador, privado de água, logo se transformaria em pó. A água é o verdadeiro monarca e nós todos somos seus escravos. Uma vez, em sua terra, em Florença, havia encontrado um homem que sabia fazer a água desaparecer. O mágico enchia uma jarra até a boca, murmurava palavras mágicas, virava a jarra e, em vez de líquido, dela saía pano, uma torrente de lenços de seda coloridos. Era um truque, claro, e antes do fim do dia o viajante havia arrancado do sujeito o seu segredo e o escondera entre seus próprios mistérios. Ele era um homem de muitos segredos, mas apenas um apropriado a um rei.

A estrada para a muralha da cidade subia íngreme pela encosta e ao subir com ela o viajante viu o tamanho do lugar aonde havia chegado. Era evidentemente uma das grandes cidades do mundo, maior, parecia ao seu olhar, do que Florença, Veneza ou Roma, maior do que qualquer cidade que o viajante já havia visto. Ele visitara Londres uma vez; também ela uma metrópole menor que aquela. Com o fim da luz, a cidade pareceu crescer. Densos bairros amontoavam-se fora das muralhas, muezins cantavam de seus minaretes e à distância ele podia ver as luzes de grandes propriedades. Fogos começaram a se acender na penumbra, como alertas. Do bojo negro do céu veio a resposta do fogo das estrelas. Como se a terra e o céu fossem exércitos se preparando para a batalha, pensou. Como se seus acampamentos se aquietassem à noite e esperassem a vinda da guerra do dia. E em toda aquela multiplicidade de ruas e em todas aquelas casas de poderosos, além, nas planícies, não havia um homem que tivesse ouvido seu nome, nem um único que pudesse acreditar de imediato na história que tinha para contar. Mas tinha de contar. Atravessara o mundo para isso, e havia de contar.

Andava a passos largos e atraía muitos olhares curiosos por conta do cabelo amarelo, além de sua altura, o cabelo loiro comprido e inegavelmente sujo esvoaçando em torno do rosto como a água dourada do lago. O caminho subia, passava diante da torre de presas na direção de um portal de pedra com dois elefantes em baixo relevo, um na frente do outro. Por esse portão, que estava aberto, vinham os ruídos de seres humanos brincando, comendo, bebendo, farreando. Havia soldados a postos no portão de Hatyapul, mas em atitude relaxada. As verdadeiras barreiras estavam adiante. Aquele era um local público, um local para reuniões, compras e prazer. Homens apressados ultrapassaram o viajante, levados por fomes e sedes. De ambos os lados da rua calçada entre o portão externo e o interno havia hospedarias, estalagens, barracas de comida e mascates de todo tipo. Ali se dava o negócio eterno de comprar e ser comprado. Roupas, utensílios, bugigangas, armas, rum. O mercado principal ficava além do portão menor, do sul. Os moradores da cidade faziam ali suas compras e evitavam este lugar, que era para recém-chegados ignorantes que não sabiam o preço real das coisas. Aquele era o mercado dos trapaceiros, o mercado dos ladrões, ruidoso, extorsivo, desprezível. Mas viajantes cansados, ignorantes do mapa da cidade e relutantes, de qualquer forma, em caminhar até a muralha externa para o mercado maior e mais justo, não tinham opção senão tratar com os mercadores do portão do elefante. Suas necessidades eram urgentes e simples.

Texto extraído de vejaonline

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Lembranças de Senna

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Dica de livro











Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem, "Histórias Vividas", uma imponente gravura. Representava ela uma jibóia que engolia uma fera. Eis a cópia do desenho.



Dizia o livro: "As jibóias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão."

Refleti muito então sobre as aventuras da selva, e fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. Meu desenho número 1 era assim:



Mostrei minha obra prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo.

Respondera-me: "Por que é que um chapéu faria medo?"

Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elefante. Desenhei então o interior da jibóia, a fim de que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações. Meu desenho número 2 era assim:



As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando.

Tive pois de escolher uma outra profissão e aprendi a pilotar aviões. Voei, por assim dizer, por todo o mundo. E a geografia, é claro, me serviu muito. Sabia distinguir, num relance, a China e o Arizona. É muito útil, quando se está perdido na noite.

Tive assim, no decorrer da vida, muitos contatos com muita gente séria. Vivi muito no meio das pessoas grandes. Vi-as muito de perto. Isso não melhorou, de modo algum, a minha antiga opinião.

Quando encontrava uma que me parecia um pouco lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre: "É um chapéu". Então eu não lhe falava nem de jibóias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável.

Fonte: Wikipédia
Todo o livro está disponível para download.

Do blog Cartoonshow

Dicionário inFormal

O dicionário de português gratuito para internet, onde as palavras são definidas pelos usuários.
Uma iniciativa de documentar on-line a evolução do português.
Não deixe as palavras passarem em branco, participe definindo o seu português!


http://www.dicionarioinformal.com.br/

Entrevistas com autores brasileiros

http://www.cronopios.com.br/perfil_literario/

Minha lista de blogs

Itens compartilhados de joyce

Páginas