domingo, 21 de fevereiro de 2010

SER



Ser

Ter a calma do abandono dos sonos,
cuidar do peito como quem planta trigo,
amenizar tremores e febres
como quem dá descanso ao filho.

Acolher sonhos, serenos e ventos,
tatear promessas como se fossem rezas,
cuidar que as palavras sejam boas iguais a frutos
como quem cuida de árvores nos quintais.

Acender fogo sabendo das refeições,
bendizer o dia como quem abençoa a vida,
agradecer por tudo em todos os instantes
como quem aflito recebe afago e ternura.

Caminhar sem ruídos pelos caminhos,
atentar às paisagens como quem espia a lua,
saber do sabor e dos perfumes os mais humildes
como quem edifica poemas e edifícios.

Amar na possibilidade de todo amor,
entregar-se a si como num esquecimento,
doar-se com a profundidade dos gestos
como quem sozinho celebra seu momento.

Cuidar para que o coração seja ameno,
resguardar a bondade como preciosidade e luz,
ter nas mãos fragilidades humanas e divinas
como quem ao fim de tudo se apresentasse a Jesus.

                                            Zeca Corrêa Leite


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Sobre a atual vergonha de ser brasileiro



Sobre a atual vergonha de ser brasileiro
Affonso Romano de Sant'Anna

(Diante da pesquisa que aponta F.H. (presidente da República Fernando Henrique) como o brasileiro que mais envergonha o país, o cronista se vê forçado a publicar um texto de 17 anos atrás, atualíssimo)


Que vergonha, meu Deus! ser brasileiro
e estar crucificado num cruzeiro
erguido num monte de corrupção.
Antes nos matavam de porrada e choque
nas celas da subversão. Agora
nos matam de vergonha e fome
exibindo estatísticas na mão.
Estão zombando de mim. Não acredito.
Debocham a viva voz e por escrito
É abrir jornal, lá vem desgosto.
Cada notícia é um vídeo-tapa no rosto.
Cada vez é mais difícil ser brasileiro.
Cada vez é mais difícil ser cavalo
desse Exu perverso
nesse desgoverno terreiro.
Nunca vi tamanho abuso.
Estou confuso, obtuso,
com a razão em parafuso:
a honestidade saiu de moda
a honra caiu de uso.
De hora em hora a coisa piora:
arruinado o passado,
comprometido o presente,
vai-se o futuro à penhora.
Valei-me Santo Cabral
nessa avessa calmaria
em forma de recessão
e na tempestade da fome
ensinai-me a navegação.
Este é o país do diz e do desdiz,
onde o dito é desmentido
no mesmo instante em que é dito.
Não há lingüista e erudito
que apure o sentido inscrito
nesse discurso invertido.
Aqui o discurso se trunca:
o sim é não. O não, talvez.
O talvez, nunca.
Eis o sinal dos tempos
este o país produtor
que tanto mais produz
tanto mais é devedor.
Um país exportador
que quando mais exporta
mais importante se torna
como país mau pagador.
E, no entanto, há quem julgue
que somos um bloco alegre
do ‘‘Comigo Ninguém Pode’’
quando somos um país de cornos mansos
cuja história vai dar bode.
Dar bode, já que nunca deu bolo,
tão prometido pros pobres
em meio a festas e alarde
onde quem partiu, repartiu
ficou com a maior parte
deixando pobre o Brasil.
Eis uma situação
totalmente pervertida
-- uma nação que é rica
consegue ficar falida,
o ouro brota em nosso peito,
mas mendigamos com a mão,
uma nação encarcerada
que doa a chave ao carcereiro
para ficar na prisão.
Cada povo tem o governo que merece?
Ou cada povo
tem os ladrões a que enriquece?
Cada povo tem os ricos que o enobrecem?
Ou cada povo tem os pulhas
que o empobrecem?
O fato é que cada vez mais
mais se entristece esse povo num rosário
de contas e promessas num sobe e desce de prantos e preces.
C’est n’est pas um pays sérieux!
já dizia o general.
O que somos afinal?
Um país-pererê? folclórico? tropical?
misturando morte e carnaval?
Um povo de degradados?
Filhos de degredados
largados no litoral?
Um povo-macunaíma
sem caráter-nacional?
Por que só nos contos de fada
os pobres fracos vencem os ricos nobres?
Por que os ricos dos países pobres
são pobres perto dos ricos
dos países ricos? Por que
os pobres ricos dos países pobres
não se aliam aos pobres dos países pobres
para enfrentar os ricos dos países ricos,
cada vez mais ricos, mesmo
quando investem nos países pobres?
Espelho, espelho meu!
há um país mais perdido que o meu?
Espelho, espelho meu!
há um governo mais omisso que o meu?
Espelho, espelho meu!
há um povo mais passivo que o meu?
E o espelho respondeu
algo que se perdeu
entre o inferno que padeço
e o desencanto do céu.

Texto extraído do jornal "
O Globo
" - Rio de Janeiro.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Fotos e Fotos

FOTOS POR MARCO SANCHOTENE / Londres

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Alfabetização

Com o desenvolvimento do processo de urbanização surge a necessidade de aprendizagem da leitura e da escrita e, conseqüentemente, as campanhas de combate ao analfabetismo.
Vidal (2001) em seu estudo sobre as práticas de leitura escolar, entre 1920 e 1930, adotando os conceitos de estratégia e tática, formulados por Michel de Certeau, isto é, das relações de força e formas de apropriação do objeto para entender a cultura escolar, concluiu que a leitura foi destacada dos outros saberes escolares e assumiu uma especificidade disciplinar, fixando formas apropriadas de leitura, critérios, escolha de títulos, entre outros, formulando padrões que permanecem até hoje, principalmente, delegando a tarefa do trabalho com a leitura somente aos professores de Língua Portuguesa. Por outro lado, a apropriação dos saberes por professores e alunos deu-se de maneira fragmentada e equivocada, já que, por exemplo, apesar das justificativas demonstradas por estudos científicos naquele momento sobre a importância da leitura silenciosa, a escola persistia e persiste até nossos dias em praticar a leitura oral.
O subdesenvolvimento do Brasil, manifestado a partir de 1950, leva a outra mudança na escola, visando a formação de mão-de-obra especializada necessária ao mercado de trabalho. Surge, então, a Lei n.o 5.692, de 1971 que propõe um ensino profissionalizante aliado a uma formação geral para a maioria e intelectual para os que tivessem vocação e competência e que teve conseqüências desastrosas para a educação. Constata-se um número maior de alfabetizados, mas não necessariamente de leitores.
Joyce Sanchotene


sábado, 30 de janeiro de 2010

ROMEU E JULIETA

Shakespeare escreveu a tragédia Romeu e Julieta que tem o mais alto percentual de rimas dentre seus poemas, assim, teve uma solução notável para o primeiro encontro dos dois jovens: as primeiras quatorze linhas do diálogo entre eles formam um soneto.

Romeu

Se a minha mão profan esse sacrário,
Pagarei docemente o meu pecado;
Meu lábio, peregrino temerário,
O espiará num beijo delicado.

Julieta

Bom peregrino, a mão que acusas tanto
Revela-me um respeito delicado;
Juntas, a mão do fiel e a mão do santo,
Palma com palma terão se beijado

Romeu

Os santos não têm lábios, mãos, sentidos?

Julieta

Ai, têm lábios somente para a reza.

Romeu

Fiquem os lábios, como as mãos, unidos;
Rezem também, que a fé não os despreza.

Julieta

Imóveis, eles ouvem os que choram.

Romeu

Santa, que eu colha o que os meus ais imploram.


Fonte: Heliodora, Bárbara. Falando de Shakespeare. São Paulo: Pespectiva, 1997.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A fuga

Agora a chuva parou. Só está frio e muito bom. Não voltarei para casa. Ah, sim. Isso é infinitamente consolador. Ele ficará surpreso? Sim, doze anos pesam como quilos de chumbo. Os dias se  derretem, fundem-se e formam um só bloco, uma grande âncora. E a pessoa está perdida. Seu olhar adquire um jeito de poço fundo. Àgua escura e silenciosa. Seus gestos tornam-se brancos e ela só tem um medo na vida: que alguma coisa venha transformá-la. Vive atrás de uma janela, olhando pelos vidros a estação das chuvas cobrir a do sol, depois tornar o verão e ainda as chuvas de novo. Os desejos são fantasmas que se diluem mal se acende a lâmpada do bom senso. Por que é que os maridos são o bom senso? O seu é particularmente sólido, bom e nunca erra.

LISPECTOR, Clarice. A bela e afera.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Charles Chaplin

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Procura-se um amigo

Procura-se um amigo




Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.




Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.




Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.




Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.



Autor desconhecido

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Livros mais lidos em 2009

Livros mais lidos em 2009

 1
A Cabana
William Young SEXTANTE
 1
Comer, Rezar, Amar
Elizabeth Gilbert OBJETIVA
 1
O Código da Inteligência
Augusto Cury THOMAS NELSON BRASIL
 2
Eclipse
Stephenie Meyer INTRÍNSECA
 2
Mentes Perigosas
Ana Beatriz Barbosa Silva FONTANAR
 2
Vencendo o Passado
Zibia Gasparetto VIDA & CONSCIÊNCIA
 3
Crepúsculo
Stephenie Meyer INTRÍNSECA
 3
Marley & Eu
John Grogan PRESTÍGIO
 3
Quem Me Roubou de Mim?
Fábio de Melo CANÇÃO NOVA
 4
Lua Nova
Stephenie Meyer INTRÍNSECA
 4
Uma Breve História do Mundo
Geoffrey Blainey FUNDAMENTO
 4
O Monge e o Executivo
James Hunter SEXTANTE
 5
Amanhecer
Stephenie Meyer INTRÍNSECA
 5
1808
Laurentino Gomes PLANETA
 5
Cartas entre Amigos
Fábio de Melo e Gabriel Chalita EDIOURO
 6
O Vendedor de Sonhos
Augusto Cury ACADEMIA DE INTELIGÊNCIA
 6
Uma Breve História do Século XX
Geoffrey Blainey FUNDAMENTO
 6
A Arte da Guerra
Sun Tzu VÁRIAS EDITORAS
 7
O Símbolo Perdido
Dan Brown SEXTANTE
 7
Gomorra
Roberto Saviano BERTRAND BRASIL
 7
A Cabeça de Steve Jobs
Leander Kahney AGIR
 8
Leite Derramado
Chico Buarque COMPANHIA DAS LETRAS
 8
O Clube do Filme
David Gilmour INTRÍNSECA
 8
Nunca Desista de Seus Sonhos
Augusto Cury SEXTANTE
 9
O Menino do Pijama Listrado
John Boyne COMPANHIA DAS LETRAS
 9
1001 Filmes para Ver Antes de Morrer
Steven Jay Schneider SEXTANTE
 9
Casais Inteligentes
Enriquecem Juntos
Gustavo Cerbasi GENTE
 10
O Vendedor de Sonhos e a
Revolução dos Anônimos

Augusto Cury ACADEMIA DE INTELIGÊNCIA
 10
Dewey
Vicki Myron e Bret Witter GLOBO
 10
Por que os Homens Amam
as Mulheres Poderosas?
Sherry Argov SEXTANTE
 11
A Menina que Roubava Livros
Markus Zusak INTRÍNSECA
 11
O Andar do Bêbado
Leonard Mlodinow JORGE ZAHAR
 11
O Segredo
Rhonda Byrne EDIOURO
 12
O Caçador de Pipas
Khaled Hosseini NOVA FRONTEIRA
 12
Honoráveis Bandidos
Palmério Dória GERAÇÃO
 12
Os Segredos da Mente Milionária
T. Harv Eker SEXTANTE
 13
A Cidade do Sol
Khaled Hosseini NOVA FRONTEIRA
 13
Mentes Inquietas
Ana Beatriz Barbosa Silva FONTANAR
 13
Gêmeas - Não Se Separa o que a Vida Juntou
Mônica de Castro VIDA & CONSCIÊNCIA
 14
Anjos e Demônios
Dan Brown SEXTANTE
 14
Fazendo as Malas
Danuza Leão COMPANHIA DAS LETRAS
 14
Encontre Deus na Cabana
Randal Rauser PLANETA
 15
O Pequeno Príncipe
Antoine de Saint-Exupéry AGIR
 15
Resistência
Agnès Humbert NOVA FRONTEIRA
 15
Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes
Stephen Covey BEST SELLER
 16
Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Stieg Larsson COMPANHIA DAS LETRAS
 16
Chico Buarque - Histórias de Canções
Wagner Homem LEYA BRASIL
 16
Eles Continuam entre Nós
Zibia Gasparetto VIDA & CONSCIÊNCIA
 17
Diários do Vampiro 1 - O Despertar
L.J. Smith RECORD
 17
Mais Você - 10 Anos
Ana Maria Braga GLOBO
 17
O Poder do Agora
Eckhart Tolle SEXTANTE
 18
Marcada
P.C. Cast e Kristin Cast NOVO SÉCULO
 18
Jornal Nacional - Modo de Fazer
William Bonner GLOBO
 18
Espíritos entre Nós
James van Praagh SEXTANTE
 19
A Hospedeira
Stephenie Meyer INTRÍNSECA
 19
Revolução na Cozinha
Jamie Oliver GLOBO
 19
O Ciclo da Autossabotagem
Stanley Rosner e Patricia Hermes BEST SELLER
 20
O Leitor
Bernhard Schlink RECORD
 20
Guinness World Records 2010
Vários Autores EDIOURO
 20
Confidencial
Costanza Pascolato JABOTICABA
[Photo]
Fontes: Balneário Camboriú: Livrarias Catarinense; Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Betim: Leitura; Blumenau: Livrarias Catarinense; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Siciliano; Campinas: Cultura, Fnac, Laselva, Siciliano; Campo Grande: Leitura; Caxias do Sul: Siciliano; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva, Siciliano; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense, Siciliano; Fortaleza: Laselva, Siciliano; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva, Siciliano; Governador Valadares: Leitura; Ipatinga: Leitura; João Pessoa: Siciliano; Joinville: Livrarias Curitiba; Juiz de Fora: Leitura; Jundiaí: Siciliano; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Mogi das Cruzes: Siciliano; Mossoró: Siciliano; Natal: Siciliano; Navegantes: Laselva; Niterói: Siciliano; Petrópolis: Nobel; Piracicaba: Nobel; Porto Alegre: Cultura, Fnac, Livrarias Porto, Saraiva, Siciliano; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Ribeirão Preto: Paraler, Siciliano; Rio Claro: Siciliano; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Siciliano, Travessa; Salvador: Saraiva, Siciliano; Santa Bárbara d’Oeste: Nobel; Santo André: Siciliano; Santos: Siciliano; São José dos Campos: Siciliano; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Livraria da Vila, Martins Fontes, Nobel, Saraiva, Siciliano; São Vicente: Siciliano; Sorocaba: Siciliano; Uberlândia: Siciliano; Vila Velha: Siciliano; Vitória: Laselva, Leitura, Siciliano; internet: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Siciliano, Submarino

Revista VEJA

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Fernando Pessoa- 31 lições

Sobre a obra

O livro “Dias melhores pra sempre!”, da editora Ateliê, elaborado pelo Canal do Livro, reúne 31 lições do grande poeta Fernando Pessoa para cada dia do mês.
O principal diferencial da obra é ressaltar trechos importantes do escritor de uma forma simples e com uma linguagem jovem.

As frases selecionadas mostram como lidar com sentimentos como o amor, a perda, a solidão, a amizade e a desilusão ao longo da vida e das experiências vividas no dia-a-dia.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Leminski e a linguagem

Paulo Leminski nasceu em Curitiba em 24 de agosto de 1944. Entre outras coisas foi poeta, tradutor, contista, copydesk, redator, publicitário e biógrafo (escreveu as biografias de Matsuo Bashô, de Cruz e Souza e de Jesus Cristo).
Morreu em 4 de junho de 1989 devido a uma cirrose hepática.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Amar

MUSE

domingo, 3 de janeiro de 2010

Fotos que curti





segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

As quatro estações

Antonio Vivaldi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

Antonio Vivaldi
Antonio Vivaldi.jpg
Gravura de François Morellon de la Cave
Informação geral
Nome completo
Antonio Lucio Vivald
Apelido
Vivaldi
Data de nascimento
4 de março de 1678
Origem
Veneza, Itália
País
Itália Itália
Data de morte
28 de julho de 1741 (63 anos)
Instrumentos
violino
Período em atividade
1705 - 1741
Antonio Lucio Vivaldi (Veneza, 4 de março de 1678 — Viena, 28 de julho de 1741) foi um compositor e músico italiano do estilo barroco tardio. Tinha a alcunha de il prete rosso ("o padre vermelho") por ser um sacerdote de cabelos ruivos. Compôs 770 obras, entre as quais 477 concertos e 46 óperas. É sobretudo conhecido popularmente como autor da série de concertos para violino e orquestra Le quattro stagioni ("As Quatro Estações")

 Escute a mais famosa de suas composições: As quatro estações

domingo, 27 de dezembro de 2009

Indicação de livro infantil

Sobre a obra

O livro, de 332 páginas, tem de tudo. Tem bicho engraçado, formas, cores, a preguiça da gente, o lugar das coisas no mundo, batata frita e até nariz. Tem desenhos pra encantar e rimas que brincam na boca da gente. Tem o carinho da poesia de Lalau e a beleza das cores mais bonitas de Laurabeatriz. E, acima de tudo, tem a graça de descobrir um mundo novo, em que a fantasia está na moda. É pra usar todo dia. Indicação a partir de 6 anos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Indicação: homenagem ao Monthiel

No ano passado um blogueiro amigo indicou a leitura dos livros abaixo. Infelizmente, ele partiu, achei o email e faço uma homenagem a ele repetindo sua indicação. Do Monthiel.
1 - 1808 (Laurentino Gomes)
2 - O mundo assombrado pelos demônios [bb] (Carl Sagan)
3 - Deus, um delírio ( Richard Dawkins );
4 - Ensaio sobre a cegueira (Jose Saramago);
5 - O Castelo de vidro (Jeannette Walls);
6 - A sombra do vento (Carlos Ruiz Zafon);
7 - A cabana (William P. Young);
8 - O vendedor de sonhos (Augusto Cury);
9 - Uma breve história do mundo (Geoffrey Blainey);
10 - As memórias do livro (Geraldine Brooks

domingo, 20 de dezembro de 2009

A MENINA DOS FÓSFOROS

Fazia um frio terrível. Nevava, e a noite aproximava-se rapidamente. Era o último dia de Dezembro, véspera de Ano Novo.

Apesar do frio intenso e da escuridão, andava pelas ruas uma menina descalça e com a cabeça descoberta.

Ao sair de casa ainda trazia umas chinelas, mas que não lhe serviram de muito. Eram enormes, tão grandes que decerto pertenciam à mãe e a pobre menina tinha-as perdido ao atravessar a rua correndo, para fugir de duas carruagens que rolavam velozmente. Estava agora descalça e tinha os pés roxos de frio. Dentro de um velho avental tinha muitos fósforos e segurava um punhado deles.

Ninguém lhe comprara fósforos durante o dia e nem sequer lhe tinham dado uma esmola. Morta de frio e de fome, arrastava-se pelas ruas. A pobre criança era a imagem da miséria. Caíam-lhe flocos de neve sobre os cabelos louros muito compridos.

As janelas das casas estavam todas iluminadas. Pelas ruas, espalhava-se o cheiro reconfortante de gansos assados, pois era véspera de Ano Novo.

A menina acocorou-se no ângulo formado pelos muros de duas casas. Encolhera as pernas e sentara-se em cima delas, mas continuava a ter frio. Não ousava voltar para casa porque não vendera nem um fósforo e não tinha sequer uma moeda para entregar ao pai. Temia que este lhe desse uma sova. Além disso, em casa fazia quase tanto frio como na rua, porque tinham apenas o telhado para os cobrir. Apesar de terem tapado com palha e trapos todas as frestas, o vento gelado penetrava incessantemente.



Pôs-se a acender todos os fósforos que restavam na caixa, para conservar junto de si a imagem da avozinha. Os fósforos davam uma chama tão clara que parecia dia. Nunca a avó fora tão bela e tão grande como naquela noite.

A bondosa senhora pegou na criança entre os braços e ambas se elevaram no espaço, envolvidas por uma luz extraordinária. Subiram alto, muito alto, até onde deixa de existir o frio, a fome e o medo.

E, quando chegou a madrugada, encontraram a criança estendida no chão, com as faces rosadas e um sorriso nos lábios. Estava morta. Tinha morrido de frio, na última noite daquele ano.

O Sol do dia do Ano Novo ergueu-se sobre o corpo frágil e abandonado na neve. O avental da criança continha ainda alguns fósforos, mas perto do corpo encontrava-se um pacote de caixas vazias. No entanto, ninguém podia supor as esplêndidas coisas que a menina tinha visto, nem sequer a emoção que sentira ao ser levada pela bondosa avozinha, no dia em que o novo ano principiava.




 ANDERSEN



MAIKEN



ILUSTRAÇÕES PARA OUTRAS HISTÓRIAS DE ANDERSEN




HOWARD PAY



P. J. LYNCH

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Dois Poemas de Florbela Espanca


MISTÉRIO D'AMOR

Um mistério que trago dentro em mim
Ajuda-me, minh'alma a descobrir...
É um mistério de sonho e de luar
Que ora me faz chorar, ora sorrir!


Viemos tanto tempo tão amigos!
E sem que o teu olhar puro toldasse
A pureza do meu. E sem que um beijo
As nossas bocas rubras desfolhasse!


Mas um dia, uma tarde... houve um fulgor,
Um olhar que brilhou... e mansamente...
Ai, dize ó meu encanto, meu amor:



Porque foi que somente nessa tarde
Nos olhamos assim tão docemente
Num grande olhar d'amor e de saudade?!

ESCREVE-ME...

Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!


Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu já, e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!


"Amo-te!" Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!


Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então... brandas... serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...

Florbela Espanca

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Dicionário inFormal

O dicionário de português gratuito para internet, onde as palavras são definidas pelos usuários.
Uma iniciativa de documentar on-line a evolução do português.
Não deixe as palavras passarem em branco, participe definindo o seu português!


http://www.dicionarioinformal.com.br/

Entrevistas com autores brasileiros

http://www.cronopios.com.br/perfil_literario/

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