domingo, 22 de novembro de 2009

Formação do professor

A formação do professor reflexivo constitui-se num argumento valiosíssimo para auxiliar o professor no seu projeto de ensinar. A partir de um processo reflexivo este docente poderá dispor de uma série de informações e percepções acerca da codificação realizada pelos alunos, para o seu processo de compreensão das comunicações recebidas que possibilitarão um ensino mais direcionado no sentido do professor se fazer efetivamente entender.

Para Pérez Gomez (1999) apud Libâneo, "a reflexividade é a capacidade de voltar sobre si mesmo, sobre as intenções, representações e estratégias de intervenção. Supõe a possibilidade (...) de utilizar o conhecimento à medida que vai sendo produzido, para enriquecer e modificar não somente a realidade e suas representações, mas também as próprias intenções e o próprio processo de conhecer."

Para Romanowski (2003), “a reflexão na ação é complexa: exige uma observação atenta de como os alunos resolvem as situações, com base nos seus conhecimentos. O professor poderá, pela reflexão na ação, compreender o entendimento figurativo que o aluno já traz. (...)”.

Como um dos elementos importantes da formação dos professores, pode ser entendido como um processo de ação – reflexão – ação no qual Libâneo (2002) propõe três categorizações:

"* Auto-análise: um processo de voltar-se a si próprio, sobre seu próprio conhecimento, permitindo a formação de uma teoria bem como a reorientação da própria prática;

* Relação entre reflexão e situações da prática através da qual permita a análise de uma situação concreta, propiciando um redirecionamento da prática a partir da experiência pensada, gerando uma ação-relação entre atos realizados e transformações apreendidas.

* Busca da compreensão da realidade através do movimento reflexivo, a fim de permitir o acompanhamento da dinamicidade das informações e relacionamentos sociais afim de construir um explicitação do real propiciando uma contextualização do momento histórico e social vivenciado."


Sem estes elementos reflexivos como referência torna-se complexa uma análise e uma compreensão do próprio sujeito historicamente constituído, fragmentando a sua visão de mundo e, consequentemente, a sua capacidade de ensinar.

Como um elemento importante na formação dos educadores a pesquisa não se faz presente no cotidiano de muitos professores. Nem enquanto ferramenta a ser desenvolvida nas próprias instituições, nem como informações fornecidas por intermédio da utilização de resultados de pesquisas realizadas em outras instituições.

Esta carência de relacionamento entre pesquisa e prática pedagógica leva a um círculo vicioso nestas instituições onde os problemas verificados no processo de ensino e aprendizagem acabam repetindo-se com freqüência.

Outro aspecto de relevante contribuição no processo de formação docente refere-se à reconstituição do memorial pessoal do docente a partir de sua história de vida, de suas experiências vivenciadas.

Segundo Romanowski (2003) o sujeito vai construindo seu saber através de um processo que contempla a reflexão acerca de seus avanços e recuos em função das relações que as experiências conduziram em relação ao conhecimento.

Esta dimensão ganha significância quando trabalhada durante o processo de formação de professores. Uma formação que não propicie a reflexão acerca dos pontos essencialmente pertinentes ao ensino pode permitir a retenção excessiva da “bagagem” cultural que o docente irá levar para a sala de aula, por vezes até inconsciente, da ação dos muitos professores que passaram em sua vida de estudante. Dependendo da influência pode trazer aspectos não adequados ao processo de ensino atual.

Para este processo de reconstrução os principais referenciais são o contexto familiar, o processo de escolarização e a vida profissional do indivíduo.

Para ensinar, o professor necessita de conhecimentos e práticas que ultrapassem o campo de sua especialidade. Estes conhecimentos são adquiridos basicamente como cita Benedito (1995) apud Pimenta e Anastasiou (2002):


"(...) o professor aprende a sê-lo mediante um processo de socialização em parte intuitiva, autodidata ou (...)seguindo a rotina dos “outros”.(..) Nesse processo, joga um papel mais ou menos importante sua própria experiência como aluno, o modelo de ensino que predomina no sistema (...) e as reações de seus alunos, embora não há que se descartar a capacidade autodidata do professorado. Mas ela é insuficiente."


Esta formação deve contemplar alguns princípios norteadores que possibilitarão o alcance dos objetivos visados de acordo com o pensamento de Pimenta e Anastasiou (2002):


* Dotar os professores de perspectivas de análise para compreender os contextos históricos, sociais, culturais, organizacionais nos quais se dá sua atividade docente, com condição de nela intervir.

* Trabalhar o conhecimento no processo formativo dos professores, realizando a mediação entre os significados dos saberes da docência no mundo atual e aqueles contextos nos quais foram produzidos.

* Desenvolver os conhecimentos com base numa metodologia de problematização e análise das situações da prática social de ensinar.

* Utilizar a pesquisa como princípio cognitivo na formação docente, propondo situações de investigação da realidade do ensino, de modo que se incorpore a pesquisa no percurso da formação e na prática dos professores.


Portanto, cabe ao professor articular o conhecimento de senso comum do aluno com o conhecimento científico, sabendo que o respeito ao que o aluno traz (senso comum) como saber é o primeiro passo para a mediação do professor, para que a construção de novos saberes (conhecimento científico) seja significativa para o educando.

Sanchotene et alli( 2005)

2 comentários:

Principe Encantado disse...

Belo post, meu bem elebaorado e elucidativo, parabéns.
Abraços forte

EAD/JOYCE disse...

Obrigada, amigo. bjs

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