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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Inconfesso Desejo Carlos Drummond de Andrade



Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O moço


O MOÇO



Não me perguntem quantos anos tenho,
e, sim, quantas cartas mandei e recebi

Se mais jovem, se mais velho...o que importa,
se ainda sou um fervilhar de sonhos,
se não carrego o fardo da esperança morta...

Não me perguntem quantos anos tenho,
e sim, quantos beijos troquei - beijos de amor!

Se a juventude em mim ainda é festa,
se aproveito de tudo a cada instante,
e se bebo da taça gota a gota...



Ora! Então pouco se me dá que gota resta!
Não me perguntem quantos anos tenho,
mas... queiram saber de mim se criei filhos,
queiram saber de mim que obras eu fiz,
queiram saber de mim que amigos tenho,
e se a alguém, pude eu, tornar feliz.

Não me perguntem quantos anos tenho,
mas... queiram saber de mim que livros li,
queiram saber de mim por onde andei,
queiram saber de mim quantas histórias,
quantos versos ouvi, quantos cantei.


E assim, somente assim, todos vocês,
por mais brancos que estejam meus cabelos,
por mais rugas que vejam em meu rosto,
terão vontade de chamar -me: "O Moço!"

E, ao me verem passar aqui...alí...
não saberão ao certo a minha idade,
mas saberão, por certo, que eu vivi!

MOACYR JOSÉ SACRAMENTO

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NEM TUDO É FÁCIL

domingo, 10 de outubro de 2010

AS PENAS DO AMOR

As penas do amor

(Título Original: "The sorrow of Love")

Autor: William Butler Yeats
Tradutor: André C S Masini

Sobre os telhados a algazarra dos pardais,
Redonda e cheia a lua - e céu de mil estrelas,
E as folhas sempre a murmurar seus recitais,
Haviam esquecido o mundo e suas mazelas.
Então chegaram teus soturnos lábios rosas,
E junto a eles todas lágrimas da terra,
E o drama dos navios em águas tempestuosas
E o drama dos milhares de anos que ela encerra.
E agora, no telhado a guerra dos pardais,
A lua pálida, e no céu brancas estrelas,
De inquietas folhas, cantilenas sempre iguais,
Estão tremendo - sob o mundo e suas mazelas.

Copyright © André C S Masini, 2000
Todos os direitos reservados. Tradução publicada originalmente
no livro "Pequena Coletânea de Poesias de Língua Inglesa"

terça-feira, 17 de agosto de 2010

CHARLES BUKOWSKI

sexta-feira, 9 de julho de 2010

PERDOA-ME

Perdoa-me

Perdoa-me se te engano com a ternura do olhar,
o afago que chega tímido, o rasgo do peito,
segredos murmurados em palavras de vento.

Se te ofereço pedaços da minha vida,
se as lágrimas irrompem no meio da frase,
se um soluço corta o silêncio,
se a palavra só traduz saudade...
por favor, perdoa-me.

Aquele verso que achaste sangrento e belo,
aquela lembrança vinda na distração de um momento,
um jeito de dizer que amo e que me despeço,
o passo meio trôpego, cálice de bebida que acabou,
a noite que se fez mais densa, o dia que nasceu vazio...
por favor, perdoa-me.

Se teus olhos olhando nos meus
vêm uma poesia sem descanso,
se meus versos perderam o doce encanto,
se tudo que digo é tão dito, tão normal, tão antigo,
se a voz das confissões não tem o vigor de outrora,
se deixei de ser teu velho amigo,
se não sou  mais teu esgarçado livro
onde lias minhas verdades suicidas,
então, por fim, te peço: perdoa-me.

É tudo mentira.
Todos os versos, sangrias, alegrias,
raiar da primavera, galos cantando à meia-noite,
canecas de lata, prato de alumínio deformado,
leitos gelados nas noites quentes de verão,
minha cabeça em teu peito como se fosse desmaio e sono,
foi tudo mentira...

Mentira, mentira, mentira.

Com tuas próprias inocências é que te comovestes,
tua sensibilidade é que te guiou pelos teus caminhos, não eu;
bebeste das águas que evitei, saciastes de frutos
que envenenei, te deixastes ir para o céu
acreditando nos sonhos que inventei.

Perdoa-me por todas as mentiras, e, se tiver coragem,
perdoa-me mais uma vez - agora -
porque estou  te enganando com estes versos



enquanto desnudo verdades  siamesas... Zeca Correa Leite

sábado, 29 de maio de 2010

O encantador de silêncios


 Zeca Corrêa Leite
                                                    
                          
O encantador de silêncios

Apenas um vilarejo. Era apenas um vilarejo
colocado no ermo dos campos esquecidos.
Ali vivíamos desenrolando o novelo dos dias
com uma paciência aprendida dos avós
que tinham por mania rir de velhas lembranças
escancarando por vezes as bocas murchas.
Não tinha estardalhaço, pairava o silêncio
com a mesma naturalidade com que o sol
banhava as ruas, tão poucas, tão sem graça,
esquentando  a terra ressequida.
Só se ouvia o choro das criancinhas impertinentes,
torturadas por cólicas e dor de ouvido,
geralmente de noite acometidas.
A meninice herdava a mesma falta de palavras,
como se fôssemos páginas em branco.
Havia um certo abandono
gerado de outros abandonos,
como se todos os séculos fossem assim
de vivências desamparadas.
A noite descia sobre nossos olhares vazios
indiferentes aos vaga-lumes e pirilampos,
a embriaguez das estrelas, a solidão do lugar.
Quando amanhecia o dia era só mais um dia.
Ou nem era dia, não era nada.
O novelo sendo desfeito:
moscas varejeiras nas feridas dos cachorros,
velhos sentados nas portas das casas,
calorão no ar rarefeito.

Nos campos ao redor
árvores raquíticas teimavam em crescer,
cumprindo com seu destino.

De lá, desses perdidos encontros do céu e da terra,
de vez em quando vinha um velho muito velho
arrastando atrás de si legiões de anjos insones.
Tocava rabeca, o louco.
Tocava num desvario de sonhos atropelados,
dançava, cantava canções esquecidas
de palavras apagadas.
Dos pés descalços subiam poeiras mágicas amareladas,
e aos nossos olhos assustados
os diáfanos anjos apareciam
pousando a cabeça uns nos ombros dos outros,
como se adormecessem anestesiados
com toda aquela balbúrdia.
A meninada corria ao encontro do  músico
como almas enfeitiçadas,
homens pegavam em armas,
mulheres sumiam nas casas
passando tranca na porta.
Os velhos tomados de despeito
ruminavam impropérios
aos fantasmas de seus peitos.
No vilarejo a existência que era nada
em paraíso se transformava.
Um semicírculo de crianças
formava a platéia encantada.
Quando o velho partia, os anjos o seguiam
rasgando as vestes de seda
nos espinhos dos galhos secos.
A tarde morria, a noite chegava.
Na quietude dos silêncios
via-se nos olhos das crianças
o brilho que ficara da música
ouvida em outro momento.




sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Procura-se um amigo

Procura-se um amigo




Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.




Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.




Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.




Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.



Autor desconhecido

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Coração





Coração
Posted: 24 Nov 2009 08:24 AM PST
Tive que agir
E a cor da alma agitada e imperfeita
Tornou-se serena e calma
Nesta vida tão efêmera
Tive que agir, sim
Serenar meu plexo agitado
Meus pensamentos transviados
A alma que implorava por cor e ação
Equalizei o rádio que insistia em captar rock and roll
Respirei, bem fundo, e com sorriso largo
Pude ver o lago que refletia a luz solar
Voltei a estar
Tive que agir, sim
Com toda as minhas cores em ações


Xandy Britto, renovado.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Edgard Alan Poe

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A SOMBRA DO SEU OLHAR



 
“Vou embora”, diz,
pisando nas terras de solidão
em que me transformei.
“Te faço sofrer”.

Lá fora as flores abrem-se
em pétalas noturnas.

Se pudesse lhe mostraria o céu,
derramaria no tapete dias existidos
dos tempos em que fomos felizes.

A sombra do seu olhar.

Urgências de um novo amor,
revolta em ter-me ao lado,
a alma dividida.

Peço que fique num fio de voz.
Mais um pouco, mais um dia,
mais uma vez.

Aquiescência.

A madrugada avança,
os bares estão fechados.

Amor migra,
ave em desespero,
paixão alucinada.

Sem sossego
sei que virá a temida hora
a qualquer hora...

Vazio da noite, abismo,
meu medo,
a sombra do seu olhar.


Zeca Corrêa Leite

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Florbela Espanca





Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que a minha boca tem pra te dizer!

São talhados em mármore de Páros

Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têmdol~encias de veludos caros,

São como sedas pálidas a arder...

Deixa dizer´te os lindos versos raros

Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não t'os digo ainda...

Que a boca da mulher é sempre linda

Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...

E nesse beijo, Amor, que eu não te dei

Guardo os versos mais lindos que te fiz!

(1923)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O sono das águas


Paruqe São Lourenço/ Curitiba






O Sono das Águas
Guimarães Rosa




"Há uma hora certa,
no meio da noite,
uma hora morta,
em que a água dorme.
Todas as águas dormem:
no rio,
na lagoa,
no açude,
no brejão,
nos olhos d'água,
nos grotões fundos.

E quem ficar acordado,
na barranca,
a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir...

Águas claras,
águas barrentas,
sonolentas,
todas vão cochilar.

Dormem gotas,
caudais,
seivas das plantas,
fios brancos,
torrentes.
O orvalho sonha nas placas das folhagens
e adormece.

Até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes...

Mas nem todas dormem,
nessa hora de torpor líquido e inocente.

Muitos hão de estar vigiando,
e chorando , a noite toda,
porque a água dos olhos
Essa... nunca tem sono..."

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Passando dos cinquenta


MARINA COLASANTI



Passando Dos Cinqüenta

Meu pescoço se enruga.
Imagino que seja
de mover a cabeça
para observar a vida.
E se enrugam as mãos
cansadas dos seus gestos.
E as pálpebras
apertadas no sol.
Só da boca não sei
o sentido das rugas
se dos sorrisos tantos
ou de trancar os dentes
sobre caladas coisas.

sábado, 15 de novembro de 2008

Poema de paulo leminski

Uma poesia ártica,
claro, é isso que eu desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não, Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Poema

Poema da MENTE
Affonso Romano de Sant`Anna

Há um presidente que mente,
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele, mente sincera/mente,

Mas que mente, sobretudo, impune/mente...

Indecente/mente.
E mente tão nacional/mente,
Que acha que mentindo história afora,
Vai nos enganar eterna/mente.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

soneto/camões

Dicionário inFormal

O dicionário de português gratuito para internet, onde as palavras são definidas pelos usuários.
Uma iniciativa de documentar on-line a evolução do português.
Não deixe as palavras passarem em branco, participe definindo o seu português!


http://www.dicionarioinformal.com.br/

Entrevistas com autores brasileiros

http://www.cronopios.com.br/perfil_literario/

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